Antes indicado apenas para diabetes tipo 2, o medicamento agora poderá ser prescrito para pacientes com obesidade associada a comorbidades. Preços variam entre R$ 1.400 e R$ 2.400 por caixa, com aplicação semanal.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta segunda-feira, 9 de junho, o uso do medicamento Mounjaro (tirzepatida) como tratamento para obesidade, ampliando seu uso que até então era restrito ao controle do diabetes tipo 2. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União e representa mais um avanço no tratamento de uma das doenças crônicas que mais cresce no Brasil e no mundo.
Produzido pela farmacêutica Eli Lilly, o Mounjaro é uma caneta injetável de aplicação semanal que vinha sendo comercializada no Brasil desde maio de 2025 exclusivamente para pacientes diabéticos. Agora, com a nova autorização da Anvisa, o medicamento poderá ser prescrito também para pessoas que convivem com a obesidade — desde que associada a pelo menos uma comorbidade, como hipertensão, dislipidemia, apneia do sono ou doenças cardiovasculares.
Um concorrente direto do Ozempic e Wegovy
Com a decisão, o Mounjaro entra oficialmente na lista de medicamentos aprovados no país para o tratamento da obesidade, ao lado de nomes como Ozempic e Wegovy, ambos à base de semaglutida. Mas o que diferencia o novo medicamento é o seu mecanismo duplo de ação hormonal.
Segundo a fabricante, a tirzepatida é o primeiro composto aprovado que atua simultaneamente em dois receptores hormonais: o GIP (polipeptídeo inibidor gástrico) e o GLP-1 (peptídeo semelhante ao glucagon-1). Ambos desempenham papel fundamental na regulação do apetite, saciedade e controle da glicose no sangue. A ação combinada, de acordo com estudos clínicos, potencializa a redução de peso e melhora o controle metabólico, superando inclusive os resultados de outras terapias existentes.
Eficácia já comprovada em estudos
Estudos clínicos publicados em revistas científicas internacionais vêm apontando que o Mounjaro pode promover perda de peso de até 20% do peso corporal inicial em alguns pacientes, dependendo da dose e do tempo de uso. Esses resultados o colocam como uma das terapias mais eficazes atualmente disponíveis, especialmente para pacientes com obesidade severa ou que não respondem bem a outras abordagens.
Além da perda de peso, a tirzepatida também demonstrou impactos positivos no controle da glicemia, resistência à insulina e fatores de risco cardiovascular — o que reforça a escolha da Anvisa em liberá-lo apenas para casos com comorbidades associadas.
Retenção de receita agora é obrigatória
Com o crescimento da procura por “canetas emagrecedoras”, como são popularmente chamadas essas medicações injetáveis, a Anvisa também anunciou uma exigência mais rígida para compra: a retenção da receita médica será obrigatória a partir de agora. A medida visa evitar o uso indiscriminado e sem orientação profissional, o que pode representar riscos sérios à saúde.
Preços e acesso: quanto custa o tratamento?
O Mounjaro será disponibilizado no Brasil em duas dosagens principais: 2,5 mg e 5 mg, ambas com aplicação semanal e embalagens contendo quatro canetas por caixa. Os preços variam de acordo com o canal de compra e a adesão ao programa da própria fabricante:
💉 Dosagem 2,5 mg (4 canetas):
- Pelo programa Lilly:
• R$ 1.406,75 (e-commerce)
• R$ 1.506,76 (loja física) - Sem programa:
• R$ 1.907,29
💉 Dosagem 5 mg (4 canetas):
- Pelo programa Lilly:
• R$ 1.759,64 (e-commerce)
• R$ 1.859,65 (loja física) - Sem programa:
• R$ 2.384,34
A empresa ainda não confirmou previsão de lançamento de versões com dosagens mais altas, como ocorre em outros países.
Avanço no combate à obesidade
A obesidade é uma doença crônica, multifatorial, e que afeta quase 30% da população adulta brasileira, segundo dados do Ministério da Saúde. Seu tratamento deve ser baseado em uma combinação de mudanças no estilo de vida, apoio psicológico, acompanhamento médico e, em alguns casos, uso de medicamentos.
Com a aprovação do Mounjaro, especialistas apontam que o Brasil passa a contar com uma nova ferramenta de grande impacto. No entanto, alertam: o medicamento não deve ser visto como uma solução rápida ou isolada.
“O uso da tirzepatida deve estar inserido em um plano terapêutico completo, com acompanhamento médico, nutricional e psicológico. Não se trata apenas de emagrecer, mas de tratar a obesidade como uma condição de saúde que precisa ser gerida a longo prazo”, destacou a endocrinologista e pesquisadora Luciana Mota, em entrevista recente.
Tendência global
A autorização no Brasil acompanha o movimento de outros países, como Estados Unidos e membros da União Europeia, que já haviam aprovado o uso da tirzepatida para tratamento da obesidade. A expectativa agora é que o medicamento ganhe espaço nos protocolos médicos e seja incorporado gradualmente em programas de saúde suplementar.
Enquanto isso, especialistas recomendam cautela, e reforçam que o acesso ao medicamento deve vir sempre sob prescrição médica qualificada, considerando o histórico do paciente, possíveis efeitos adversos e objetivos clínicos.
Com mais esta aprovação, o Brasil amplia o acesso a medicamentos inovadores que, usados corretamente, têm o potencial de transformar a vida de milhares de pessoas que convivem com a obesidade e suas consequências.
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Autoria: Sarah Pacini

