Ex-deputado estava foragido desde julho e foi entregue à Polícia Federal em Corumbá; defesa tenta revogar prisão
Ex-deputado estadual Roberto Razuk Filho, conhecido como Neno Razuk (PL), chegou ao sistema penitenciário de Campo Grande nesta segunda-feira (3), após ser preso no domingo (2) pelas autoridades bolivianas.
O político estava foragido desde 8 de julho e teve o nome incluído na Difusão Vermelha da Interpol. Após a captura, ele foi entregue à Polícia Federal na fronteira e levado para Corumbá.
Antes da transferência para a Capital, Neno deixou a sede da Polícia Federal para passar por exame de corpo de delito. O deslocamento começou por volta das 10h, sob escolta.
Ex-deputado foi condenado a mais de 15 anos
Neno Razuk foi condenado em primeira instância a mais de 15 anos de prisão por organização criminosa armada, roubo e exploração do jogo do bicho.
A condenação está relacionada à Operação Successione, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado do Ministério Público de Mato Grosso do Sul.
A sentença também determinou a proibição do exercício de função pública por oito anos. A defesa ainda pode apresentar recursos contra a condenação.
Perda do mandato mudou situação judicial
A ordem de prisão havia sido expedida em dezembro de 2025, mas não foi cumprida naquele momento porque Neno exercia mandato na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul.
Em 21 de maio de 2026, uma retotalização dos votos das eleições estaduais alterou a composição da Assembleia. Neno perdeu a vaga, que passou para João César Mattogrosso, do PSDB.
Sem o mandato parlamentar, o processo voltou à primeira instância e o ex-deputado deixou de contar com a prerrogativa de foro.
Operação investigou disputa pelo jogo do bicho
Segundo o Ministério Público, o grupo investigado na Operação Successione buscava assumir o controle da exploração do jogo do bicho em Mato Grosso do Sul.
As apurações indicaram a existência de uma organização criminosa armada, com divisão de tarefas e participação em roubos contra integrantes de um grupo concorrente.
Na quarta fase da operação, deflagrada em novembro de 2025, foram expedidos 20 mandados de prisão e 27 ordens de busca e apreensão em Mato Grosso do Sul e outros três estados.
Durante as investigações, foram apreendidas mais de 700 máquinas utilizadas em apostas, computadores, celulares, planilhas e dinheiro.
O Ministério Público também pediu o bloqueio de R$ 36 milhões em bens atribuídos à família Razuk.
Defesa afirma que negociava apresentação
Em nota, os advogados afirmaram que Neno entrou na Bolívia em 1º de julho, antes da ordem de prisão que o tornou foragido.
A defesa sustenta que o ex-deputado aguardava a análise de recursos eleitorais e que, após decisões desfavoráveis, comunicou à Justiça a intenção de se apresentar voluntariamente.
Segundo os advogados, as condições para a entrega estavam sendo negociadas quando Neno foi abordado pelas autoridades bolivianas e entregue à Polícia Federal.
A defesa informou ainda que buscará a revogação da prisão preventiva para que o ex-parlamentar possa recorrer em liberdade. A alegação será analisada pela Justiça e não altera, por enquanto, a situação prisional.
Habeas corpus ainda será julgado
Um pedido de habeas corpus apresentado pela defesa teve a liminar negada e deverá ser analisado pela 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul.
O julgamento estava previsto para quinta-feira (6). Até uma nova decisão judicial, Neno Razuk permanece preso e à disposição da Justiça.


