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Da Brasil Telecom à falência: como a Oi perdeu espaço em MS

Da Brasil Telecom à falência: como a Oi perdeu espaço em MS

Marca chegou ao Estado em 2009, ganhou força na telefonia e na fibra, mas vendeu operações antes da quebra confirmada em 2026

Falência da Oi, confirmada pela Justiça nesta terça-feira (25), encerra uma etapa de uma trajetória que por anos teve presença importante em Mato Grosso do Sul. Antes de chegar ao cenário atual, a operadora herdou uma extensa estrutura de telefonia fixa, avançou sobre o mercado móvel, ganhou espaço na internet por fibra e, posteriormente, transferiu boa parte dessas operações para outras empresas.

Presença direta da marca no Estado começou em 2009, quando a Oi comprou a Brasil Telecom. A empresa adquirida havia incorporado parte da estrutura da antiga Telems depois da privatização do Sistema Telebrás e mantinha operações em 75 municípios sul-mato-grossenses.

Campo Grande ocupava posição relevante nessa estrutura. Além de concentrar parte das atividades regionais da companhia, a Capital esteve entre cinco cidades brasileiras escolhidas pela Brasil Telecom para receber operações de call center.

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Estrutura já era ampla antes da chegada da Oi

Muito antes da mudança de marca, a operação de telecomunicações herdada pela Oi já alcançava centenas de milhares de consumidores.

Em 2004, a Brasil Telecom informava possuir cerca de 495 mil terminais de telefonia fixa em Mato Grosso do Sul. Naquele período, a companhia também começava a ampliar a presença no segmento móvel com a implantação do serviço GSM.

Banda larga ainda estava em uma etapa inicial de crescimento. Ao fim de 2004, aproximadamente 25 mil clientes no Estado utilizavam o serviço Turbo, oferecido pela Brasil Telecom.

Compra da companhia pela Oi, em 2009, levou a nova marca a uma base já consolidada e presente em grande parte dos municípios de Mato Grosso do Sul.

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Telefonia móvel passou para a TIM no DDD 67

Mudança mais significativa na presença da companhia começou a ganhar força anos depois. Em 2022, a Oi concluiu a venda de sua operação de telefonia móvel no país para Claro, TIM e Vivo.

Em Mato Grosso do Sul, consumidores ligados ao DDD 67 foram direcionados para a TIM. A operação marcou o fim da atuação direta da Oi no serviço móvel que durante anos esteve entre as principais frentes da empresa.

Naquele momento, entretanto, a companhia ainda mantinha peso relevante em outro segmento: a internet por fibra óptica.

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Fibra chegou a ter 106 mil acessos em MS

Dados referentes a outubro de 2022 apontavam 106 mil acessos da Oi Fibra em Mato Grosso do Sul, equivalentes a 27,5% do mercado estadual desse tipo de conexão naquele período.

Campo Grande também se destacou. Meses antes, a própria operadora, utilizando dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), colocava a Capital sul-mato-grossense entre as cidades onde possuía liderança no mercado de banda larga por fibra.

Esse negócio, porém, também deixou de fazer parte da estrutura tradicional da Oi.

Em 2025, a Nio assumiu a antiga base residencial da Oi Fibra. Na ocasião, a empresa informou possuir aproximadamente 90 mil clientes em Mato Grosso do Sul, dos quais cerca de 60 mil estavam em Campo Grande.

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Serviços já estavam em outras empresas antes da falência

Quando a falência foi confirmada em 2026, grande parte das operações pelas quais a Oi ficou conhecida entre os consumidores sul-mato-grossenses já havia mudado de mãos.

Clientes da telefonia móvel haviam sido redistribuídos anos antes, enquanto a antiga base residencial de fibra passou a ser administrada por outra companhia.

Isso significa que a decretação da falência da Oi não representa, por si só, o desligamento automático dos serviços que já foram vendidos ou transferidos.

Decisão judicial ocorre depois de um longo processo de deterioração financeira da companhia, marcado por duas recuperações judiciais, venda de ativos e tentativas de reorganização do negócio.

Segundo as informações da decisão, a Justiça considerou o descumprimento do plano de recuperação e a falta de geração relevante de receitas pelas operações que permaneceram na empresa.

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Veja os principais momentos da Oi em Mato Grosso do Sul

  • 1998: privatização do Sistema Telebrás reorganiza a antiga estrutura da Telems, posteriormente incorporada à Brasil Telecom
  • 2004: Brasil Telecom informa 495 mil terminais fixos em MS e amplia atuação com telefonia móvel GSM
  • 2004: serviço de banda larga Turbo encerra o ano com aproximadamente 25 mil clientes no Estado
  • 2009: Oi compra a Brasil Telecom e passa a atuar diretamente com sua marca em Mato Grosso do Sul
  • 2012: Anatel suspende temporariamente a venda de novas linhas móveis da Oi em MS por 11 dias
  • 2022: operação móvel da Oi é vendida e clientes do DDD 67 são transferidos para a TIM
  • 2022: Oi Fibra alcança 106 mil acessos e participação de 27,5% no mercado estadual de fibra
  • 2025: Nio assume a antiga base residencial da Oi Fibra, com cerca de 90 mil clientes em MS
  • 2026: Justiça confirma a falência da Oi após anos de reestruturação e venda de ativos

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Presença da marca encolheu antes da decisão judicial

História da Oi em Mato Grosso do Sul, portanto, não terminou de forma repentina com a falência. A redução da presença da empresa ocorreu gradualmente, à medida que negócios importantes foram vendidos e consumidores passaram a ser atendidos por outras operadoras.

De uma estrutura que chegou a reunir telefonia fixa, celular, banda larga e operações de atendimento em Campo Grande, a companhia entrou em 2026 com uma presença muito menor no cotidiano dos consumidores do Estado.

Falência formaliza uma nova etapa da crise de uma empresa que, durante anos, esteve entre os principais nomes do setor de telecomunicações brasileiro.

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