Polícia citou declaração de Eduardo Bolsonaro, poder econômico e estruturas no exterior ao pedir restrição de viagem ao STF
Risco de saída do país foi apontado pela Polícia Federal ao pedir ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a apreensão do passaporte de Flávio Bolsonaro (PL) e a proibição de que o senador deixasse o Brasil. Segundo a PF, havia elementos considerados “concretos e atuais” que indicavam a possibilidade de uma fuga.
Entre os fatores citados pelos investigadores estão uma declaração pública de Eduardo Bolsonaro defendendo que o irmão deixasse o país em caso de derrota eleitoral, o poder econômico de Flávio e a existência de estruturas no exterior que poderiam permitir uma permanência prolongada fora do Brasil.
Flávio Bolsonaro perdeu o segundo turno da eleição presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), realizado no domingo (25). O prazo determinado para que entregasse o passaporte à Polícia Federal terminou às 11h desta terça-feira (27), mas o documento não havia sido apresentado até a atualização da reportagem.
PF cita declaração de Eduardo Bolsonaro
No pedido encaminhado a Moraes, a Polícia Federal mencionou uma entrevista concedida por Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Segundo os investigadores, o deputado cassado havia defendido publicamente que o irmão deixasse o Brasil caso não vencesse a eleição presidencial.
Para a PF, a declaração não deveria ser analisada de forma isolada. Os investigadores relacionaram a manifestação de Eduardo à estrutura que ele mantém nos Estados Unidos e à situação de Willer Tomaz, advogado investigado junto com Flávio Bolsonaro.
Tomaz está nos Estados Unidos desde agosto de 2026, após ser alvo da Operação Sem Desconto. Conforme o pedido da PF, ele teria recursos financeiros suficientes para permanecer no exterior por tempo indeterminado.
Eduardo Bolsonaro vive nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025 e, segundo a PF, mantém no país uma estrutura que poderia permitir uma permanência de longa duração.
Investigação envolve Flávio e Willer Tomaz
A decisão de Alexandre de Moraes está relacionada a uma investigação que apura a relação entre Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz em um suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo empresas do advogado e apostas esportivas.
O inquérito tramita sob sigilo de Justiça.
Flávio também é investigado em outro procedimento relacionado à possível prática de crimes envolvendo o financiamento da produção do filme “Dark Horse”, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
PF apura destino de recursos de Vorcaro
No pedido de apreensão do passaporte, os investigadores também mencionaram uma suspeita ainda em apuração sobre recursos enviados aos Estados Unidos pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, por meio do doleiro Antonio Freixo.
Segundo a PF, não está descartada a possibilidade de parte desses valores ter sido utilizada para custear a permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
A própria polícia trata essa hipótese como objeto de investigação. O documento não apresenta, no material divulgado, uma conclusão sobre o destino final dos recursos.
Flávio não entregou o passaporte
A ordem de Moraes determinou que Flávio Bolsonaro entregasse seus passaportes à Polícia Federal e proibiu sua saída do território brasileiro.
O prazo para apresentação do documento terminou às 11h desta terça-feira (27). Até a atualização da reportagem, o senador não havia entregado o passaporte.
A PF também apura, conforme informações divulgadas pelo g1, se Flávio deixou o Brasil apesar da determinação judicial. O senador nega as acusações relacionadas às investigações.

