Polícia Federal acionou autoridades argentinas após informação de possível viagem; equipe de campanha diz que senador não deixou o Brasil
A Polícia Federal acionou autoridades da Argentina para verificar uma informação de que o senador Flávio Bolsonaro (PL) teria deixado o Brasil e seguido para os Estados Unidos por meio do país vizinho. A possibilidade foi divulgada pelo portal argentino Infobae, mas não foi confirmada oficialmente pelas autoridades.
Até o momento, não há registro oficial de entrada de Flávio na Argentina. O governo argentino informou que não encontrou registro da passagem do senador pelo país, enquanto o Ministério de Segurança também afirmou ao jornal La Nación que não havia registro de entrada.
A equipe de Flávio Bolsonaro nega que ele tenha deixado o Brasil. Rogério Marinho, coordenador-geral da campanha, afirmou ao portal Metrópoles que o senador não saiu do país.
PF busca esclarecer possível deslocamento
Segundo as informações divulgadas, Flávio teria entrado na Argentina por via terrestre e seguiria de Puerto Iguazú, na província de Misiones, para os Estados Unidos.
A informação sobre a suposta viagem ganhou força após a identificação de uma aeronave Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW, que teria chegado a Puerto Iguazú na noite de segunda-feira (26).
Dados do FlightRadar24 indicaram que uma aeronave com a mesma matrícula saiu de Buenos Aires e pousou em Puerto Iguazú às 23h45. Até a publicação das informações, não havia registro de que o avião tivesse deixado a cidade.
Segundo o relato divulgado pelo Infobae, a aeronave seria operada pela empresa Baires Fly SA e teria solicitado autorização para quatro passageiros e três tripulantes. Um voo previsto para deixar Puerto Iguazú às 2h, porém, teria sido cancelado porque um dos passageiros não havia chegado.
Apesar das informações sobre a aeronave, aeroporto e autoridades policiais argentinas afirmaram que não havia plano de voo registrado com integrantes da família Bolsonaro.
Senador está proibido de deixar o Brasil
A suposta viagem ocorre depois de Flávio Bolsonaro ter sido abordado pela Polícia Federal em Brasília e de o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar a apreensão dos passaportes do senador.
A decisão também proibiu Flávio de deixar o país. A medida foi tomada em investigação que apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo apostas eletrônicas. O advogado Willer Tomaz também é investigado no caso.
Flávio Bolsonaro foi derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da eleição presidencial realizado no domingo (25). O senador nega as acusações e afirmou que sofre intimidação.
A determinação de Moraes ocorreu depois de declarações do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que afirmou em um podcast que aconselharia o irmão a deixar o Brasil caso perdesse a eleição.
Passaportes deveriam ser entregues nesta terça
Flávio Bolsonaro foi intimado pela Polícia Federal para entregar os passaportes nesta terça-feira (27). Em publicação nas redes sociais, o senador criticou a decisão de Moraes, mas afirmou que cumpriria a determinação.
Além da proibição de deixar o país, a decisão também impede Flávio de manter contato com o advogado Willer Tomaz.
Até o momento, a PF mantém a apuração sobre a possível passagem do senador pela Argentina. As autoridades argentinas, por sua vez, informaram não ter encontrado registro oficial de entrada de Flávio no país.

